Não me satisfaz
Já faz algum tempo que o nome desse blog e dessa parsonagem que eu criei não me satisfazem. Não sei porque. Sinto que agora sou mais do que a Princesa de Sal, não se enganem ainda sinto falta de ter alguém do meu lado, ainda sou uma dessas milhares de cinderelas complexadas soltas por aí, mas a Princesa De Sal já não me satisfaz. Já passei a fase das paixões crônicas, ainda sou uma sonhadora fácil, mas tenho mais consciência. Não estou curada, nem um pouco, nem por um segundo, mas estou mais consciente de mim mesma, mais segura...
No fundo acho que ser a Princesa De Sal não me satisfaz porque eu amadureci, mas é difícil nos julgarmos mais maduros, maturidade é uma coisa tão relativa quanto liberdade. Me considero amadurecida no sentido de ser capaz de viver completamente feliz sem ter ninguém ao meu lado, gostaria, mas não acho necessário, me tornei autossuficiente. Também estou mais confiante do que no começo do ano, algo que reflete na minha timidez de modo quase imperceptível, mas que está ali. Também acho que fiquei ainda mais pragmática, se isso é possível, mas acho que isso talvez esteja relacionado com a melhora da minha autoconfiança que me fez passar por cima de detalhes inoportunos e confiar mais em mim mesma na hora das decisões e "mim mesma" toma decisões por impulso, fáceis e facilitadoras, daí a praticidade.
Só que ao mesmo tempo que isso aqui já não me satisfaz não conseguiria me desfazer desse blog, nem da PDS, ela sou quem fui e isso é parte de quem eu sou, quero manter para sempre me lembrar e neste momento não sinto que já estou pronta para seguir em frente, fazer outro blog e outra personagem. Não me livrei totalmente da PDS, não amadureci o suficiente... Talvez antes de mudar eu precise de uma mudança. Não sei se vou me satisfazer com um novo persoagem e um novo blog, mas até eu achar que chegou a hora talvez eu descubra, até lá...
11:41 | | 0 Comments
Eu não quero um "eu te amo"
Não que no momento eu tenha alguém do tipo namorado para me dizer tal coisa, mas quando tiver um sério e que seja para casar, ou pelo menos que eu ame o suficiente para fazer alguma loucura do tipo, não quero ouvir dele "eu te amo" ou "você é o amor da minha vida".
Não sei porque mas essa coisa de amor para mim é uma apenas uma palavra, e uma palavra totalmente vazia. Talvez seja porque eu nunca realmente amei ninguém de todo meu coração, não para casar, mas por outro lado eu amor muito minha família e meus amigos e acho que mesmo assim nunca disse "eu te amo" para eles. Na verdade, pensando bem, agora eu acho que para eles eu nunca falei nada disso porque eu tenho pavor e vergonha de demonstrar meus sentimentos, mas mesmo depois dessa reflexão eu continuo sem querer um "eu te amo" do amor da minha vida. Faz tempo que eu penso assim, mas dizer isso em voz alta me faz uma menina muito mais...peculiar do que eu gostaria de admitir na época.
Eu sou fã de elogios espontêneos coisas bobas do tipo: "você é linda", "eu quero você", "eu preciso de você" ; para mim isso é muito mais significativo do que "eu te amo". Quanto a ser o amor da vida de alguém eu não vou muito com a cara dessa frase porque, venhamos e convenhamos, a vida é uma coisa longa, cheia de surpresas... se alguém me disesse antes de morrer que eu fui o amor da vida dessa pessoa aí sim eu ia acreditar, me comover e chorar feito um bebe com fome.
Acho legal como as palavras devem ser muito bem lapidadas para demonstrar afeto e tão pouco cuidadas para plantar a intriga. As pessoas que aderiram ao ditado "um olhar vale mais que mil palavras" são mais espertas, olhares significativos são muito mais eloquentes do que a boca mais sábia, ainda mais quando se trata de demonstrar afeto, ou medo que é o sentimento mais mudo. Os olhares significativos são mais justos e fáceis de interpretar, mas nada é mais bonito do que um olhar significativo acompanhado de palavras verdadeiras.
17:00 | | 0 Comments
Aqueles olhos azuis...
Escrevendo agora me parece bobo, exagerado, mas naquele momento não pareceu. Eu estava sentada no ônibus e era um assento reservado, pensei em levantar e ocupar outro pois o ônibus tinha parado em um terminal que sempre tinha muita gente entrando, mas desisti de ultima hora com preguiça, ou porque pensei que daquela vez não iria entrar tanta gente, ou as duas coisas. O ônibus saiu do terminal e seguiu seu trageto e eu sempre observando a tudo e a todos ao meu redor passei meu olhar sobre um garoto, um adolescente quase adulto... Um jovem, que seja, o importante não era a idade dele e sim que ele também olhou para mim de modo que nossos olhares se cruzaram. Ele estava de pé perto da porta e tinha olhos azuis, um azul inteiro, maciço, da cor do céu. O olhar dele penetrou em mim de uma maneira intensa que me fez desviar o olhar, logo depois voltei a olhá-lo e ele voltou a me olhar também, mas eu sempre desviava, fingi que não vi.
Me senti tão patética quando três pontos depois de vê-lo passei a pensar que ele flertava comigo, mas pior foi quando me imaginei mostrando ele para minhas amigas como um namorado, foi com esse pensamento que tomei conciencia do quão ridicula eu estava sendo. Patética, ridicula e ainda olhava para ele furtivamente, quando ele me surpreendia ficavamos uns dois milésimos de segundos nos olhando, os olhos dele me hipnotisando, então em desviava o olhar novamente, invadida pela timidez.
Quando me dei conta faltavam apenas tres pontos para chegar no meu, então abaixei o som do meu mp3 de modo que se ele falasse comigo eu pudesse escutar e levantei para ir até a porta. Fiquei parada ao lado dele, lhe lancei alguns olhares rápidos e timidos, os quais, tenho bastante certeza, devem ter lhe parecido olhares de desprezo. Tenho esse dom, parecer metida e arrogante quando na verdade sou apenas timida, insegura e medrosa. Quando o ônibus parou no meu ponto eu passei por ele de cabeça baixa e saí, tive a impressão de que ele iria descer ali também, mas não tive coragem de olhar para trás conferindo. Tirei o mp3 da orelha e guardei assim que desci, depois fiz o curto trajeto até minha casa com passos lentos e cheios de esperanças e platonismos. Cheguei em casa e saí cinco minutos depois andando pela mesma rua que tinha acabado de passar, só que no sentido contrário. Andei dois pontos e entrei em uma loja, de fato não tinha nada para compar ali, mas entrei e comprei uma bala de goma e um chiclete. Voltei para casa comendo a bala que acabou antes do meio do caminho, duas ou tres quadras, passei pelo ponto onde tinha descido e não tive coragem de olhar ao redor. Cheguei em casa e voltei a viver minha vida.
Isso aconteceu há apenas algumas horas e o olhar dele ainda esta grudado no meu pensamento. Ele não era bonito, também não era nada feio, nem baixo nem alto, alguns centimetros acima de mim. Mas aqueles olhos azuis eu nunca vi igual. Não foi o par mais bonito que já vi na vida, mas tinha alguma coisa neles que eu não sei o que é...
Talvez seja o fato deles estarem direcionados para mim, talvez a cor homogênea...
De qualquer modo esse episódio só foi mais uma comprovação de como eu sou amante do platonismo e do medo. Tentei lidar com o platonismo dizendo a mim mesma que estava sendo idiota e que ele se quer devia estar me olhando com segundas intenções, devia ser simples curiosidade como a que eu tenho e sacio observando as pessoas, mas eu gosto desse platonismo de inventar histórias, é um vício que eu não estou disposta a largar no momento. O ruim mesmo foi o medo porque assim que eu desci do ônibus eu senti arrependimento, se eu tivesse falado uma palavra ele teria respondido, eu sei que sim! Esse arrependimento que não tira o olhar dele da minha cabeça. É esse medo que eu tenho que combater, mas eu sei que para combater o medo eu teria que combater um pouco desse platonismo e isso me coloca em uma situação muito complicada, eu quero mudar e perder o medo, mas tenho medo de mudar e perder o platonismo e ficar infeliz. É quase como se eu tivesse que aceitar que estou virando adulta e ter de parar de viver nesse mundo de fantasias em que eu vivo e eu não quero isso... Qual o problema de ser Peter Pan?
Talvez eu não tenha perdido o medo, o platonismo e a criança dentro de mim (pois a meu ver esta tudo entreligado) porque ainda não chegou a hora certa para isso, por outro lado quem faz a hora certa para isso? As circunstancias ou você mesmo? Talvez constatar isso tudo já seja um modo de estar evoluindo e crescendo sem necessariamente perder tudo o que acho que posso perder.
19:47 | | 0 Comments
Sentada na cama...
...com a luz apagada e a porta fechada. Tenho a coberta puxada até o pescoço e estou encostada nos travesseiros que se apoiam na cabeceira da cama. Começo a me sentir sufocada mais uma vez, esse nó que vai e vem agora conseguiu subir pela minha garganta e se libertar do meu peito. Começo a sentir as lágrimas escorrendo pelo meu rosto e meus lábios sentem o molhado e o salgado doce do meu pranto.
Não sei se foram as palavras escutadas, se foi o modo que elas foram ditas ou se foi por causa da pessoa que as pronunciou, só sei que de repente senti aquele nó subindo e engoli em seco tentando sufocá-lo, mas alguns minutos depois quando fiquei sozinha comigo mesma não vi mais motivo para reprimí-lo e deixei que viesse o choro.
Foi bom. Eu sempre digo que o choro lava a alma e limpa o corpo, dessa vez não foi diferente. Não resolveu meus problemas, mas me acalmou, permitiu que a raiva viesse e levou a angústia embora. Lido melhor com a primeira do que com a segunda.
E naquela noite, deitada na cama o sono veio depressa e com força. Agora de algum modo obtuso as coisas estão mais claras um pouco, meus pensamentos estão menos obscuros. Talvez um pouco mais resolva isso, talvez eu que esteja apenas esperando que as coisas, que não acontecem nem são vistas, se resolvam sozinhas.
17:22 | | 1 Comments
Borboletas no meu estômago
...Algumas horas no meu ventre, outras vai subindo pela garganta.
]
Não sei se o motivo é nervosismo de vestibulanda, ou o que meu irmão disse sobre eu ser medrosa demais, ou essa minha nova paixãozinha platônica pelo bonitinho. Claro, sempre tem a opção de ser apenas ansiedade, porque eu estaria ansiosa é que eu não sei.
Engraçado pensar que é nervosismo de vestibulanda, eu sempre fui tão calma nas provas por aí, só ficava nervosa quando começavam a estudar perto de mim e eu não sabia a matéria. Talvez eu só esteja nervosa porque a data de inscrição está chegando e eu estou com medo de não saber nada e ainda assim a inércia não me deixa fazer mais nada de mais. Hoje eu vi uma menina com a apostila de exercícios cheia de papéis presos com clipes e mostrando-se realmente usada. Meu coração deu um nó na minha garganta.
Logo depois disso o professor comentou algo sobre nunca desprezar um feio, de acordo com ele é melhor beijar um feio do que ver dois bonitos se beijando. Talvez ele tenha razão. Logo depois disso atrás de mim um menino, que eu sei ser amigo do meu bonitinho, comentou algo com outro amigo dele. Não ouvi tudo, pois as risadas da sala e a minha não permitiram, mas o que eu ouvi foi algo sobre umas pessoas, lembro dele dizer que era uma menina, mas acho que essa parte é só fruto da minha memória seletiva, de qualquer modo ele disse que umas pessoas pensavam que um amigo dele era gay e ele não sabiam de onde tiraram isso já que esse amigo dele não era gay. Eu tive que segurar o riso, uma vez que eu tenho bastante certeza, ainda mais agora, que o bonitinho já me ouviu comentar com um amigo meu sobre meu bonitinho ser gay. Eu acho que ele sabe que ele é o bonitinho e que eu acho que ele é gay. Só não sei se o amigo se referia a ele na conversa e/ou se a conversa foi proposital. Foi um pouco ruim isso, quer dizer, agora o problema não é ele e as escolhas de e sim eu e a minha falta de coragem para mostrar a ele uma de suas opções.
O que me lembra do meu irmão agora a pouco me dizendo que meu problema é medo. Medo de tudo, de dar a cara a tapa. Eu que sempre me julguei bastante corajosa, que vivo defendendo meus amigos e encrencando... Talvez ele tenha querido dizer que eu tenho medo de mostrar meus sentimentos, de ser errada e dar errado, de me mostrar e ser julgada do mesmo modo que eu julgo os outros. É, ele tem razão. Eu acho que ando trabalhando nisso, acho que esse ano tenho um pouco menos de medo da opinião alheia, mas que ainda morro de medo do julgamento dos meus pais. Acho que meu problema não é mostrar meus sentimentos e sim o medo de que eles não sirvam para nada, não demonstrem nada e acabem me traindo deixando meu ego ferido, minha auto estima abaixo de zero e minha insegurança acima de cem, o pior é que eu nem sei quando isso começou, se ela tem algo haver ou não.
Também pensou que esse friozinho pode ser ansiedade, parece que alguma coisa vai acontecer, eu não sei o que é, ou se vai mesmo acontecer. Talvez eu quero acreditar nisso porque minha vida anda muito parada e eu não quero sonhar tão alto e tão real como da ultima vez para mover ela um pouco.
Pode ser tudo junto, sempre pode. Pode ser porque eu vejo minha amigas vivendo a vida de faculdade delas enquanto eu fico nesse limbo, sabe-se lá por quanto tempo, o pior é que elas não entenderia porque nenhuma delas passou por aqui. As vezes penso em mudar de carreira, escolher uma mais fácil só para passar logo e acabar com isso, mas mais uma vez tenho medo de não gostar da escolha fácil. Eu não costumo dar valor as facilidades. Mas escrever acalma as borboletas, me da um nozinho na garganta...
...Estou começando a achar
...Que as borboletas estão a voar
...Querendo me recordar
...Que de vez em quando é bom chorar.
Eu sempre achei que as lágrimas lavam o corpo e limpam a alma. Me dê um motivo, só um e eu acho que me rendo as borboletas, acho que depois vou me sentir melhor
17:57 | | 0 Comments